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Diagnóstico de autismo na infância é tema do podcast da TV Câmara

A TV Câmara Santo André recebeu a neuropsicopedagoga Djane Vale Viana para uma conversa sobre o diagnóstico do autismo na infância, os sinais que podem ser observados por famílias e escolas e os desafios da adaptação do ensino.

Em mais um episódio do podcast da TV Câmara Santo André, o tema foi o Transtorno do Espectro Autista (TEA) na infância, abordado a partir do olhar da aprendizagem. A convidada foi a neuropsicopedagoga Djane Vale Viana, que falou sobre o desenvolvimento infantil, os níveis de suporte previstos na classificação atual e o trabalho conjunto entre família, escola e profissionais de saúde.

O que é a neuropsicopedagogia

Segundo a convidada, a neuropsicopedagogia é uma área transdisciplinar relativamente recente, que reúne conhecimentos das neurociências aplicadas à educação, da pedagogia e da psicologia cognitiva. Na prática, explicou, o campo estuda como o cérebro aprende para, a partir disso, buscar estratégias de ensino adequadas a cada pessoa. Ela destacou que o trabalho é sempre articulado com outros profissionais, como neuropediatras, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Como o diagnóstico é feito

A neuropsicopedagoga lembrou que não existe um exame laboratorial ou de imagem que, isoladamente, confirme o autismo. A avaliação diagnóstica é clínica e considera o histórico do desenvolvimento, a observação do comportamento e as informações fornecidas pela família, pela escola e pelos profissionais que acompanham a criança.

Embora exista variação no desenvolvimento infantil, atrasos, ausência de aquisições esperadas ou perda de habilidades já adquiridas justificam uma conversa com o pediatra ou com a equipe de saúde. A identificação de sinais não permite que famílias ou educadores façam diagnósticos, mas pode favorecer o encaminhamento e o início oportuno dos apoios necessários.

O que significa falar em espectro

De acordo com a convidada, o TEA é uma condição do neurodesenvolvimento. O DSM-5-TR, manual de referência utilizado por profissionais de saúde mental, descreve três níveis de suporte, que são: requer suporte, requer suporte substancial e requer suporte muito substancial. Eles consideram as necessidades apresentadas na comunicação e interação social e nos padrões restritos ou repetitivos de comportamento. Esses níveis não resumem todas as capacidades da pessoa, e as necessidades de apoio podem variar conforme o contexto e ao longo da vida.

No nível 1, por exemplo, a pessoa pode realizar diversas atividades com autonomia e ainda enfrentar dificuldades importantes diante de mudanças, interações sociais ou sobrecarga sensorial. Nos níveis 2 e 3, podem ser necessários apoios mais intensos e frequentes, inclusive para comunicação e atividades cotidianas. A convidada observou ainda que o autismo com frequência aparece associado a outras condições coexistentes, o que torna cada caso singular.

A escola e a adaptação do ensino

Um dos pontos centrais da conversa foi o papel da escola. A neuropsicopedagoga defendeu que o planejamento considere o repertório, as potencialidades e as necessidades de cada estudante. As adaptações, segundo explicou, devem permitir o acesso ao currículo comum e a participação nas atividades da turma, com recursos e estratégias individualizados, sem afastar a criança do convívio com os colegas.

Ela também citou o Plano Educacional Individualizado (PEI), documento pedagógico elaborado a partir do estudo das necessidades, potencialidades e barreiras encontradas pelo estudante. O plano deve ser atualizado continuamente e orientar as estratégias da sala comum, do Atendimento Educacional Especializado e das demais ações da escola, com participação do estudante e da família e diálogo intersetorial quando necessário.

A convidada apontou ainda a necessidade de formação continuada das equipes escolares e dos profissionais de apoio. Também comentou a importância de um uso equilibrado e adequado à idade das telas, com acompanhamento dos responsáveis. Segundo ela, o uso excessivo pode interferir em atividades importantes para o desenvolvimento, como sono, brincadeiras e interação, ressalva feita de que as telas não são apresentadas como causa do autismo.

Uma mensagem a pais e professores

Ao encerrar, a convidada resumiu sua mensagem em um convite ao olhar atento, ao conhecimento sobre a primeira infância e à confiança no trabalho dos educadores. Para ela, apoios oportunos nessa fase podem favorecer o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança.

“O autismo nos convida a olhar.”

Djane Vale Viana, neuropsicopedagoga

Assista ao episódio no canal da TV Câmara Santo André no YouTube e consulte as proposições em tramitação no portal Câmara Sem Papel.

Este conteúdo tem caráter informativo e reproduz informações apresentadas pela convidada durante o episódio. Ele não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde e de educação.

Texto: Comunicação Institucional

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