Telefone: (11) 3429-5800

Podcast: como a Sala Lilás do AME acolhe mulheres vítimas de violência

O Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Santo André inaugurou, em março de 2026, a Sala Lilás, espaço dedicado ao acolhimento, à escuta qualificada e ao encaminhamento de mulheres em situação de violência. O tema foi tratado no podcast da TV Câmara com o diretor-geral do AME, Victor Chiavegato.

A iniciativa cria, dentro de um serviço de saúde que recebe milhares de pessoas por semana, um ambiente reservado e seguro para que mulheres possam relatar situações de violência e receber orientação sobre os serviços de proteção disponíveis na região. Voltada especialmente ao público feminino, a Sala Lilás busca enfrentar um problema reconhecidamente subnotificado.

O que é a Sala Lilás

Inaugurada em 16 de março de 2026, a Sala Lilás é um ambiente preparado especificamente para o atendimento de mulheres que possam estar vivendo algum tipo de violência, seja física, psicológica ou moral. A iniciativa está alinhada à Lei nº 14.847/2024 e à Nota Técnica Conjunta nº 264/2024 do Ministério da Saúde, que orientam gestores e serviços sobre o atendimento de mulheres vítimas de violência em ambiente privativo e individualizado no SUS. O AME está entre os primeiros serviços a implantar a sala na região do Grande ABC. O espaço foi pensado para oferecer escuta em ambiente sigiloso e permitir a notificação dos casos, registro considerado essencial diante da subnotificação que ainda marca esse tipo de ocorrência.

Não basta preparar uma sala para fazer uma escuta. Preparamos uma sala e uma equipe para fazer uma escuta qualificada e o encaminhamento, para essa mulher se sentir segura e cuidada.

Victor Chiavegato, diretor-geral do AME

Guardiões: a equipe que faz o acolhimento

O atendimento na Sala Lilás é conduzido por profissionais treinados, chamados internamente de “guardiões”. Conforme explicou Chiavegato, foram selecionados servidores com perfil mais acolhedor, entre recepcionistas, profissionais de enfermagem, médicos e assistentes sociais. Qualquer profissional da unidade pode identificar sinais de alerta e acionar um guardião, que conduz a conversa em sala reservada. Entre os sinais observados estão hematomas e outras marcas físicas, além de mudanças de comportamento, como retraimento ou a busca recorrente por atendimento sem causa aparente.

Um encaminhamento para a rede de proteção

O acolhimento não se encerra na escuta. Após a conversa, o guardião orienta o encaminhamento da mulher para o serviço mais adequado ao seu caso. Segundo o diretor-geral, a região conta com mais de 20 serviços voltados à proteção da mulher, entre eles o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), casas de abrigo e a Delegacia de Defesa da Mulher. Em Santo André, a rede inclui ainda o Centro de Referência de Proteção à Mulher VEM Maria, que atua em parceria com a Patrulha Maria da Penha. A proposta é assegurar que cada mulher saiba para onde ir e como chegar até lá.

Como funciona o AME

Vinculado ao Governo do Estado de São Paulo, o AME é uma unidade de atenção secundária e regional: trabalha com atendimentos referenciados e programados, sem porta de urgência, recebendo pacientes encaminhados pelos municípios do Grande ABC. A unidade atende cerca de mil pessoas por dia, 80% delas mulheres, e reúne diversas especialidades médicas e serviços de apoio diagnóstico e terapêutico distribuídos em cinco pavimentos, com destaque para oftalmologia, cardiologia e oncologia. Entre os serviços oferecidos estão exames de imagem, cirurgias eletivas em regime de hospital-dia e sessões de quimioterapia. É justamente esse fluxo intenso de mulheres que a Sala Lilás pretende aproveitar para ampliar o alcance do acolhimento.

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de violência podem acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180, canal gratuito e sigiloso do Governo Federal, ou a Polícia Militar pelo 190 em casos de emergência. Em Santo André, a Guarda Civil Municipal mantém, no âmbito da Patrulha Maria da Penha, um botão de pânico destinado a mulheres com medidas protetivas vigentes e acompanhadas pelo programa, com acionamento por geolocalização em situações de risco. Buscar orientação junto aos canais especializados permite que a rede de proteção identifique o caso e indique os encaminhamentos adequados.

Assista à conversa completa com o diretor-geral do AME, Victor Chiavegato, no podcast da TV Câmara Municipal de Santo André, disponível no canal do YouTube da Casa.

Texto: Comunicação Institucional

Leia também