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Bióloga debate água, clima e sustentabilidade no podcast da TV Câmara

Em episódio do podcast da TV Câmara Santo André, a bióloga e doutora em Oceanografia Amanda Alves Gomes discutiu a crise hídrica e seus reflexos sobre o meio ambiente e a sociedade. A conversa percorreu desde a relação entre a água e a vida até os desafios atuais de gestão dos recursos hídricos.

A água como base da vida

Amanda destacou a relação fundamental entre a água e a vida como a conhecemos. Embora a origem exata da vida ainda seja objeto de investigação, as evidências disponíveis indicam que os primeiros organismos viveram em ambientes aquáticos. Na busca por vida fora da Terra, a presença atual ou passada de água líquida é um dos principais sinais considerados pelos cientistas.

Natural de Santo André, Amanda formou-se em Ciências Biológicas no Centro Universitário Fundação Santo André, onde hoje leciona e coordena o Escritório de Sustentabilidade. Ela é sócia-fundadora do canal de divulgação científica Zoomundo, voltado a temas de biodiversidade, evolução e conservação, que mantém ao lado do marido, o paleontólogo Bruno.

Mudanças climáticas e eventos extremos

A convidada explicou que o planeta já passou por cinco grandes extinções em massa e avaliou que a humanidade vive hoje o que parte da comunidade científica chama de sexta extinção. A atual perda de biodiversidade está relacionada à ação humana, incluindo a destruição de habitats, a exploração de recursos naturais, a poluição e as mudanças climáticas. Estas últimas são impulsionadas principalmente pela emissão de gases de efeito estufa decorrente da queima de combustíveis fósseis.

Segundo Amanda, o aquecimento global altera o ciclo da água e contribui para a intensificação de diversos eventos extremos. Chuvas intensas tendem a se tornar mais frequentes e severas, enquanto determinadas regiões podem enfrentar secas mais prolongadas. Estudos também apontam para o aumento da intensidade dos ciclones tropicais mais fortes e das chuvas associadas a esses fenômenos.

Chuva, reservatórios e a disponibilidade de água

A pesquisadora observou que períodos de chuva intensa nem sempre se traduzem na recuperação dos reservatórios. Entre os fatores que podem dificultar esse reabastecimento, ela citou a concentração das chuvas fora das áreas de mananciais, o solo impermeabilizado que acelera o escoamento, as perdas nos sistemas de distribuição, a irregularidade das chuvas e o elevado consumo de regiões densamente povoadas, como a Grande São Paulo. Para Amanda, a captação da água da chuva poderia ser aprimorada com investimento em ciência e tecnologia.

Amanda também apontou a poluição como fator central. Embora aproximadamente 2,5% da água existente no planeta seja doce, grande parte está congelada ou armazenada no subsolo. Estimativas da ONU indicam que somente cerca de 0,5% de toda a água da Terra corresponde a água doce utilizável e disponível. Esse recurso é ameaçado pela poluição química, pelo uso inadequado de defensivos agrícolas e pela destruição das matas ciliares. A pesquisadora lembrou ainda que o Brasil detém cerca de 12% da água doce do planeta, embora sua distribuição pelo território seja desigual.

“A água não vai acabar. O que vai diminuir é a disponibilidade dela para o nosso consumo.”

Amanda Alves Gomes, bióloga e doutora em Oceanografia

Adaptação climática e o papel das cidades

Ao tratar de soluções, Amanda ressaltou a importância da adaptação climática. Entre as medidas citadas estão o fortalecimento de sistemas de alerta e de contingência para populações em áreas de risco, com atuação da defesa civil, e a construção de jardins de chuva para conter enchentes em áreas muito pavimentadas. A pesquisadora mencionou a China como referência nas chamadas cidades esponja e citou o Japão por sua experiência na gestão de resíduos sólidos.

Ela lembrou que parte dos municípios já estrutura políticas públicas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, com envolvimento de áreas como defesa civil, engenharia e planejamento urbano.

Tecnologia, dessalinização e o papel do cidadão

Sobre a dessalinização da água do mar, Amanda avaliou que a tecnologia é viável, mas envolve custos econômicos, energéticos e ambientais. Embora seja utilizada tanto em pequena quanto em larga escala, como ocorre em Israel, não deve ser considerada uma solução isolada para a segurança hídrica.

A bióloga também abordou a poluição plástica nos oceanos e o avanço dos estudos sobre microplásticos, que, segundo ela, já teriam sido detectados em órgãos humanos. Para a pesquisadora, os efeitos sobre a saúde ainda estão sendo investigados pela ciência.

Ao final, Amanda defendeu que as ações individuais importam, mas criticou a lógica de responsabilizar exclusivamente o cidadão. Para ela, o cuidado com o meio ambiente deve considerar a realidade social de cada pessoa e depende, sobretudo, de políticas públicas que incluam as populações de baixa renda.

Assista ao episódio completo sobre a crise hídrica no canal da TV Câmara Santo André no YouTube e compartilhe este conteúdo.

Acompanhe também a tramitação das proposições da Câmara Municipal de Santo André pelo Câmara Sem Papel.

Texto: Comunicação Institucional

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