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Educação financeira: por que cuidar do dinheiro é uma questão de comportamento

Educador financeiro Reinaldo Domingos participou do podcast da TV Câmara de Santo André e explicou como sair das dívidas, planejar a aposentadoria e realizar sonhos

O mais recente episódio do podcast da TV Câmara de Santo André recebeu o educador financeiro Reinaldo Domingos para uma conversa sobre finanças pessoais. Em entrevista conduzida pela apresentadora Camila, o especialista abordou desde o cenário de inadimplência no Brasil até orientações práticas para quem deseja organizar o orçamento doméstico e conquistar objetivos como a casa própria.

Educação financeira ainda é desafio no Brasil

Para Reinaldo Domingos, a raiz do problema está na falta de educação financeira ao longo da formação escolar. Segundo o educador, a população brasileira aprendeu matemática, ciências e história nas escolas, mas nunca foi ensinada a lidar com o próprio dinheiro. O tema integra a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como tema contemporâneo transversal, devendo ser trabalhado de forma integrada às práticas pedagógicas desde o ensino infantil até o médio.

Os números ajudam a dimensionar o problema. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, o país chegou a 74,31 milhões de consumidores inadimplentes em março de 2026, o equivalente a 44,42% da população adulta.

Quatro situações financeiras — e a pior não é a que você imagina

Durante o bate-papo, Reinaldo classificou a população em quatro perfis: o superendividado (inadimplente), o endividado (que tem dívidas, mas consegue pagá-las), o equilibrado (que ganha e gasta tudo) e o investidor (que reserva parte do que ganha). A surpresa fica por conta de qual seria, na avaliação do educador, o perfil mais preocupante: não é o superendividado, que já tocou o fundo e pode buscar recuperação, mas sim o equilibrado. Quem ganha e gasta tudo o que recebe vive numa zona de conforto que não permite formar reservas para o futuro, o que pode levar a uma situação de vulnerabilidade na aposentadoria.

O educador também chamou atenção para a importância do planejamento de longo prazo, especialmente diante da realidade previdenciária. Dados oficiais de 2026 indicam que 23,3 milhões de benefícios do INSS, cerca de 66,2% do total, tinham valor de até um salário mínimo, o que reforça a necessidade de organização financeira para a aposentadoria.

Dívida pode ser aliada — se usada com consciência

Reinaldo fez questão de diferenciar o endividamento saudável do descontrolado. Financiar um imóvel, parcelar uma compra no cartão ou adquirir um veículo para trabalhar são exemplos de uso consciente do crédito. O problema, segundo ele, está no excesso: desde o Plano Real, em 1994, a oferta de crédito no país cresceu muito além da capacidade de pagamento da população, e sem educação financeira para acompanhar esse movimento.

Para quem já está inadimplente, a orientação do especialista é direta: antes de negociar dívidas com empresas de recuperação de crédito, é preciso primeiro organizar o orçamento doméstico e garantir que os gastos mensais sejam menores do que a renda. Só então, com dinheiro reservado, vale buscar a negociação, que segundo o educador pode envolver descontos expressivos, a depender do caso.

Casa própria: é possível, mas exige planejamento

Sobre o sonho da casa própria, Reinaldo recomendou que a escolha do imóvel respeite o padrão de vida da família. Mudar para um bairro com custo de vida mais alto pode comprometer o orçamento de forma silenciosa, com aumento de gastos em supermercado, transporte e serviços. Na avaliação do educador, desperdícios e excessos podem representar parcela relevante dos gastos familiares, e redirecionar esses recursos é o caminho para viabilizar a prestação do imóvel.

O segredo: sonhos antes de gastos

A principal mensagem do episódio é uma inversão de lógica: em vez do modelo “ganhar, gastar e guardar o que sobra”, o orçamento saudável deve priorizar, nesta ordem, a reserva para aposentadoria, os sonhos de curto, médio e longo prazo e só depois os gastos do dia a dia. Poupar, segundo Reinaldo, não é apenas guardar dinheiro, mas também deixar de gastar em excessos e desperdícios.

O episódio completo está disponível no canal da TV Câmara de Santo André no YouTube.

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